Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens

Sobre deixar você ir



Seria clichê demais se eu dissesse que chorei ouvindo aquela música triste semana passada? E dessa vez nem a desculpa do choro fácil durante a TPM vai adiantar. Mas sim, eu chorei. Não sei dizer se é coisa da minha cabeça ou se é o universo conspirando a favor da despedida, mas ultimamente todos os filmes, contos e músicas que passam por mim insistem em me lembrar de que você vai partir.
Eu não quero dormir, nem deixar você em casa, nem ir para casa quando você não está. Tudo que eu quero é segurar você aqui o máximo possível, porque o tempo tem passado rápido demais e isso me desagrada profundamente. Queria parar o tempo, congelar naquele exato momento em que me deitei encostada no seu peito e você beijou minha cabeça. Seria o momento perfeito para uma pausa. O melhor lugar do mundo, a melhor sensação de todas.
E de repente, um filme passa diante de mim. Um filme de dois adolescentes que um dia se descobriram melhores amigos num momento de dificuldade e se apaixonaram. O filme vai passando, mas eu não consigo saber o final. Talvez isso signifique que eles não tenham fim ou, quem sabe, ainda não foi escrito um último capítulo.
A verdade é que desde que você entrou na minha vida muita coisa mudou dentro de mim. E talvez, a partir desse momento, eu tenha descoberto que o amor não está em palavras bonitas e demonstrações públicas de afeto. O amor está no sorriso. Logo eu, que sempre fui um admiradora de sorrisos, demorei tanto tempo para entender. Eu não quero que você vá, mas se isso lhe fizer sorrir, então será o certo e você irá.
Uma coisa eu posso lhe garantir: a porta de casa permanecerá fechada até você decidir abrir, afinal, só você tem a chave. A casa é sua, meu coração também, volte quando quiser.

Fazer durar



Eu me pergunto quanto tempo isso vai durar. A gente sempre quer que seja para sempre, e eu juro, com todas as minhas forças, que espero que esse para sempre dure muitas outras vidas além desta. Tem amor de sobra, afinal.
As dificuldades estão começando a aparecer e só então eu percebo que todas as outras discussões e noites sem dormir e crises de ciúmes não foram nada se comparadas a onda gigantesca que está se aproximando, prestes a nos afundar. E olha, eu nem sei nadar.
Mas eu vou me agarrar em você e você nada por nós dois, pode ser? Não, não pense que estou jogando a responsabilidade inteira para você, apenas há coisas que não estão ao meu alcance. Você sabe que eu queria que estivessem, está cansado de saber que faria qualquer coisa para nos salvar. Façamos assim, você nada por mim e me tira lá do fundo que na próxima oportunidade eu salvo você de volta. Não que isso fosse algum sacrifício para mim, pelo contrário, às vezes acho que é exatamente essa a minha missão, salvar você.
Aliás, você acha que sou super-protetora demais? As pessoas dizem que sim, que você já é grandinho o suficiente para cuidar de si mesmo. Eu sei que é, olha só o seu tamanho! Mas é que você desperta meu instinto maternal, eu gosto de cuidar de você. Gosto de fazer tudo com você, por você. Mas que mania é essa que você tem de me fazer sentir útil e bem-vinda a qualquer momento e em qualquer lugar? Eu gosto disso, sabia?
Com você o riso vem mais fácil, os problemas desaparecem como num passe de mágica e ao seu lado eu encontro uma força que nunca pensei ter.
E está tão bom assim, eu me sinto tão bem que chego até a ficar com medo. Novamente me pergunto: até quando isso vai durar? Por favor, faz durar a vida inteira. Faz durar pelo menos até o final dessa vida. E eu prometo que na próxima eu conquisto você de novo, isso se você não me lançar esse sorriso primeiro.
Pronto, já sei. Eu vou sorrir para você e você sorri para mim e assim nos apaixonamos de novo, todos os dias, como se fosse a primeira vez. 

Sou sentimento



Não adianta, eu não sou assim, não consigo ser racional. Eu ajo por impulso, dramatizo, faço barraco. Sou paranoica, medrosa, covarde.  Falo antes de pensar, choro quando dá vontade e pouco me importa o lugar ou se estou diante de toda a torcida do flamengo.
Eu gosto de chorar, me chame de louca, do que quiser. É sinal de que me importo, sinal de que ainda tenho sentimentos. É isso, sou sentimento
É por isso que assisto dramas e leio romances, porque eles me fazem chorar. É por isso que gosto de gente que fala com o olhar, que escuta o coração. E é por isso que gosto de cachorros, porque eles sentem o que sentimos. E ficam ali do lado, como se capturando a nossa dor.
Sou carinho, proteção e afeto. Mas as vezes sou medo, insegurança. As vezes sou sorrisos e, quase sempre, sou choro. As vezes eu explodo, as vezes eu saio correndo. Eu sou o que sinto. Não há dúvidas, sou sentimento. Sou coração
E para hoje, mais abraços, por favor. Mais sorrisos e beijos na testa. E, talvez, uma pequena dose de razão. 

Você não é louca e não está sozinha, por Marcella Brafman




"Eu também imaginava como seria passar o resto da vida beijando o cara logo nos primeiros instantes do primeiro beijo. Imaginava ele acordando ao meu lado e eu usando um pijama vergonhoso de bichinho, mas logo já “des”imaginava e imaginava que na verdade eu usava um de renda vermelho. Imaginava ele conhecendo meus pais, colocando ração para o meu cachorro e fazendo fondue em uma máquina de fondue que eu nem tenho. Para te falar a verdade, nunca compraria uma máquina de fondue. Imaginava ele deixando de ir beber com os amigos e surgindo na minha porta com um bouquet de flores. É aí que a imaginação tirava os pés do chão. Então, já “des”imaginava tudo outra vez e imaginava a primeira briga. O beijo para fazer as pazes. O rosto esmagado de tanto dormir em uma manhã de domingo. Imaginava o sobrenome junto. A secretária eletrônica gravada com as nossas vozes. Mesmo que ninguém mais use secretária eletrônica. Não importa se eu nem tinha ouvido a voz dele. No maior dos níveis de imaginação, eu conseguia sentir e até cheirar a gola da camisa social que nem toquei.
Aí eu voava de novo. Imaginava a saudade, a paixão. Sentia enjôo e parava para imaginar a rotina ficando chata. Mas aí imaginava a gente se amando, e ele se ajoelhando, pedindo minha mão e abrindo o jornal para pesquisar um apartamento de duas vagas de garagem presas. Voltava a imaginar o casamento, os filhos, os olhos puxadinhos do Lucas, as sardinhas da Bianca. Imaginava ele no meio de uma praça de alimentação de shopping, contando histórias da época do colégio para fazer o menino parar de chorar. E também a viagem para Buenos Aires, para Cataratas do Iguaçu, para Ilhabela. A lua-de-mel, o carro com um porta-malas grande, a vida confortável e a sala aconchegante e quente. E tudo isso eu conseguia imaginar sem nem ter trocado uma palavra com quem quer que fosse “ele”. Pensei em ir ao médico, mas acho que ele apenas diria que imaginação não tem cura. E que no máximo sai um livro disso daí.
Mas acredito que não estou sozinha nessa. Sabe, colega, você não é louca. Somos mulheres de imaginação. E sonhos. "


Texto retirado do blog Sem Clichê




Promessa

                          

Eu não queria ter falado aquelas coisas, me desculpe. Tudo bem, eu queria sim, mas talvez não daquela maneira. É que estava entalado, sabe? Sufocando. 
A verdade é que estou com medo e há muito tempo não me sentia assim, não sabia como lidar com isso. Continuo sem saber.
Não, não fala nada, me deixa terminar. Sim, eu sei, fui egoísta. Eu sou egoísta, não lembro de ter negado isso. 
É que eu sou romântica, idealizo as coisas. Ok, eu exagero também. Mas já falei, tenho medo. 
A distância machuca, sabia? E você sabe que tenho problemas para cicatrizar machucados. Não quero que você seja um. 
Mesmo com minha pouca experiência no assunto, aprendi alguma coisa com os livros - ou com a vida real -. De certa forma eu sabia que esse dia ia chegar, que os obstáculos iam ficar maiores a cada estágio. Mas e se a gente não conseguir passar dessa fase, que nem naquele joguinho de vídeo game? Eu perco a paciência e desisto, eu sou assim. Mas não quero desistir, não de você.
Você promete que volta para mim? Não, voltar não. Ficar. O que é de verdade não volta, permanece. Estava escrito naquele livro que você me deu de Natal em 2010. 
Promete que fica comigo, mesmo do outro lado do mundo? Mesmo que eu não possa lhe abraçar quando você estiver triste ou correr para lhe ver quando a saudade bater? 
Promete que fica comigo mesmo que o mundo vire do avesso? 
Eu prometo ficar com você apesar da distância ou qualquer outra coisa. Você roubou meu coração e não quero que devolva. Nunca. Jamais. Em hipótese alguma. Faz assim, eu lhe dou de presente. Pode ficar, para nunca esquecer de mim.
Assim eu fico com você, para sempre. Mesmo que você escolha não ficar

Sua Essência


Você acharia muito estranho se eu perguntasse qual o nome do seu perfume? É bom, eu gostei. Talvez eu devesse perguntar seu nome primeiro, só para saber se ele combina com esse seu caminhar apressado. Está de costas e eu não consigo ver seu rosto, mas acredito que deve ser simpático. Pessoas antipáticas não usam perfumes tão bons. Ok, algumas usam, mas prefiro acreditar que esse não é o caso.
Para onde será que está indo assim tão apressado? Se estivermos indo na mesma direção talvez pudéssemos conversar no caminho. Melhor não, eu falo demais, você ia me achar uma chata.
Sempre fui curiosa, inquieta, mas nunca um estranho me despertou tanta curiosidade e inquietação como agora. Me pergunto qual a melhor maneira de abordar um estranho como você na rua. Talvez eu devesse esbarrar acidentalmente em você ou quem sabe deixar cair algo no chão e perguntar se é seu. Isso geralmente funciona nos filmes.
Tudo bem, eu preciso perguntar o nome desse seu perfume, é inebriante demais. Acho que vou ficar com a segunda opção.
"Com licença, moço, você deixou cair um papel."
"Não, não é meu." Você sorriu.
Sorri de volta.
Simpático, eu sabia! E definitivamente esse perfume combina com esse sorriso.
Talvez se eu apressasse o passo e andássemos lado a lado eu poderia iniciar uma conversa. Isso, uma conversa!
E então você dobrou a esquina e nunca mais o vi, mas sua essência, essa eu nunca esqueci.




Em frente ao mar

                                   

Talvez eu tenha descoberto um gosto secreto pelo mar. Ele é instável, como eu. Uma hora é fúria, na outra calmaria. E  é azul, minha cor favorita. Ele se funde ao céu e parece infinito, não sabemos o que há do outro lado, assim como a vida. Acontecimentos se fundem a outros, se ligam, se desligam. A maré sobe, baixa. Leva e traz um pouco de cada lugar pelo qual passou. Eu carrego um pedaço de cada dor, alegria e sabedoria que adquiri até hoje. Mas para onde? O que tem do outro lado? Até onde vai essa imensidão azul?  E mesmo com toda essa instabilidade e incerteza, o barulho do mar invade meus fones de ouvido e se mistura à voz do Nando Reis e eu me sinto bem. Leve e em paz. Está tocando "A Letra A" e eu só consigo concordar, "quando a gente fica em frente ao mar a gente se sente melhor".

Ao ano que chegou


Em meio a mensagens de ano novo um amigo muito querido escreveu "lembre sempre que você é a mudança que sempre quis". Parei para pensar na veracidade de tais palavras. A virada do ano é sempre repleta de votos de sucesso e felicidade, desejos e promessas, mas que, na grande maioria das vezes, nunca passam de palavras proferidas ao vento. 
Sempre tive a mania de adiar as coisas. Planos comuns como "esse ano vou estudar mais, ser mais esforçada" são levados pela preguiça até se transformar em desespero na véspera de uma prova importante. A dieta que começa na segunda e se mantém apenas uma promessa enquanto existir segundas-feiras. 
Não sei se é a maturidade chegando junto com os dezenove anos, a vergonha na cara ou somente o espírito festivo e positivo do réveillon, mas algo no meu subconsciente realmente gravou essas palavras como uma espécie de lei a ser seguida. Não adianta mudar o ano, a estação, a moda se continuamos os mesmos. Eu decidi ser a mudança que sempre quis. Seria essa mais uma promessa de ano novo? 

Todas as Formas de Amor, por Mariana Marques


                            

"Mesmo que a gente não se fale sempre, nem conviva de mãos dadas e nem possa se abraçar todos os dias, a gente se ama sim. Mesmo que a gente brigue por picuinhas, fique com raiva e choramingando por aí, amor não falta.

Amor de dois, a duo. Sempre repito, pra sempre. Amor de amigo, de namorado, de irmão, simplesmente amor. A gente não vive sem. A gente precisa de alguém. Alguém pra poder andar juntos, mãos dadas e saber que não está sozinho. A gente pode ir pra onde for, mas nunca estaremos a sós se tivermos um amor.

Um amor tranquilo, um amor bagunceiro, carinhoso, com cheiro de chuva de domingo, com a pureza de uma criança, com o brilho do sol. Porque quando eu vejo o sol, eu já sei que é amor. Eu durmo pensando que é amor e tudo é assim. A gente precisa de apoio, carinho e compreensão. Precisa que no final do dia, tu me contes um pouco de ti e me ouça falar um pouco de mim.

Que tenha atenção, que tenha carinho e que seja real. Não importa quanto tempo passe, quantas horas fiquem zangados, quanto tempo se demore pra reconciliar. No final, sempre vai ser amor, mesmo que não se perceba, mesmo que se deixe ofuscar. Mas não deixa não, que o brilho desse sentimento é o melhor do mundo, o mais aconchegante e o que mais vale a pena. Investe, recria, te transformas e ame, sempre, sempre."

Texto de Mariana Marques, a linda garota da bossa.

Fragmentos, por Humberto Gessinger

                                            

"Para onde vão as personagens quando se fecha o livro? Antes da introdução e depois do fim, por onde andam?
Pela janela do avião vi Romeu e Julieta, bem velhinhos, tomando um sol de outono num banco de praça. Riam lembrando-se do tempo que tiveram que ficar parados fingindo morte antes de levantarem-se, sacudir o pó das roupas e seguirem pra vida. Eterna. Enquanto dura."

Humberto Gessinger é músico e tem um blog onde ele posta textos "sempre que a segunda-feira vira terça". 

Noite das garotas: dos medos e aspirações


Deitadas na cama elas eram apenas três amigas que comiam brigadeiro de panela enquanto passava algum filme da Disney na televisão. Faziam planos para quando fossem adultas. Dividiriam um apartamento, cada uma teria seu quarto, namorados seriam proibidos em casa e seria divertido entrar em consenso sobre qualquer coisa se tratando de três personalidades tão diferentes.
Os anos passaram e novos rostos foram surgindo, antigos ficaram esquecidos; planos foram desfeitos e refeitos milhares e milhares de vezes. Os sonhos da infância deram lugar à aspirações maiores e mais sérias. Livros, festas, shows, conversas, mais livros. 
Antigos grupos foram se fechando, novos foram ganhando cada vez mais espaço. 
Agora os novos estão prestes a tornar-se velhos e os antigos, mais velhos ainda. As três que sonhavam em dividir um apartamento hoje mal se conhecem. Assim como o que estar por vir, é o novo, o desconhecido. 
Há medo? Talvez. Insegurança? Um pouco. Amadurecimento? Com certeza. 
Não há ganhos sem perdas, nem vive versa. E talvez aquelas três meninas ainda estejam por aí, com os mesmos desejos e medos, procurando as mãos umas das outras para se segurar, afim de adquirir a força e a coragem necessárias para seguir em frente. 

Do amor


O amor é burro, idiota, na maioria das vezes, irracional. O mesmo que te faz correr o mundo e te prender na cama quando parece ter um fim. 
Amor é beijo, abraço, sorriso, cócegas, mordidas, suspiros, mãos dadas; é o olho no olho, corpo no corpo, pés entrelaçados. 
Amor é lágrima, dor de cabeça, punhos fechados; é o bater boca, bater o pé, bater a porta. 
Amor é confusão, dúvida, segundas e terceiras intenções; é esperança e uma infinidade de últimas chances. Amor é aceitação, renúncia, perdão.
O amor pode ser o que você quiser; o amor é o que você faz dele. O que você quer fazer do seu amor? 

Para uma menina com uma flor, por Vinícius de Moraes


Desafio alguém a não se emocionar com esse texto. Lindimais! :) 

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

Vômitos furtivos, por Camila Paier


Assola por aqui de vez em quando: nervosa, agitada, incompreendida e completamente fora de mim, deito de barriga pra baixo com pequenino computador à frente para vomitar algumas palavras. Quem denominou esse descarrilho de ideias como algo completamente nojento não fui eu não: Clarice L., numa dessas cartas trocadas com Lúcio Cardoso afirma não conseguir reler o próprio excremento após redigir na velocidade da luz; ou melhor, de uma inspiração que toma o corpo e, tipo transe mesmo, faz digitar e tirar de si a aflição momentânea. Apenas rejeito aquilo que mal faz parte de mim e, não por preguiça, mas por uma irracionalidade temerosa tremenda é que deixo de dar uma segunda lida - machuca às vezes se obrigar a voltar à ânsia e enjoar de novo daquilo que já saiu uma vez e agora é nada mais que um amontoado de ideias se aprumando pra firmar algo tão bonito que não caia no mesmismo dos rascunhos rejeitados.

Não programo o que irei digitar. Ainda não governo minhas ideias. Por mais que carregue dois bloquinhos e uma agenda dentro da bolsa, esparramados entre algumas canetas, uma necessaire, uma sombrinha, meu smartphone sempre perdido lá no fundo e contas para pagar, raramente lembro de anotar insights em táxis que me levam de volta para casa. Deixo bater forte na cabeça, desenrolar ideias e não fixo nunca em papel: sou burra em não eternizar esses momentos de iluminação mental. Porém, quando sento apenas com uma frase na cabeça, tomada de algum pensamento que persegue há dias e começo a escrever uma linha após a outra e fechar parágrafos; como dói reler e ver o quão mais bem pensada, escrita ou aproveitada poderia ser o elaborado feixe mental, se mais inteligência e humildade tivesse eu antes da afobação da admiração instantânea de publicar sem um segundo olho batido. Assim como expelir, é impraticável essa arte de revolver as gorfadas existenciais.
(...)Tem dias que ingiro cultura por todos os lados, deito para ler os diferentes tipos das literaturas mais bizarras e me enrolo no cobertor rosa clarinho pra assistir um filme atrás do outro, aquela série nova que muito foi indicada, a novela das 21h - e por que razão não? E digiro bem. Enfrento o bloco de notas em branco à minha frente com o maior desinteresse do mundo; e venço, sempre venço até que me encha de questionamentos e cozinhe títulos e forme internamente parágrafos a serem engolidos propositalmente para quando livres, me deixarem um pouco mais intacta de enlouquecer um pouquinho a cada dia. Fica um pouco a sensação de que talvez tenha mais por vir e o gosto de nada mais no plano das ideias e a desidratação de se passar pra algumas linhas assim, mas depois passa.
E enquanto muita gente tonteia junto como cúmplices do meu mal estar jorrado, acredito que mesmo me fazendo um mal horrendo aquele montareu de iluminações deve estar servindo de luz pra alguma cabecinha confusa feito a minha, antes de começar a criar teses em cima de qualquer banalidade do cotidiano.É o que me salva de querer de vez em quando remédio que cure o inferno de pensar demais e racionalizar praticamente tudo: ter quem diga, sim, minha filha, obrigada por falar por quem muitas vezes vive com aquilo entalado ali como nó na garganta e não consegue botar pra fora, por mais que enfie o dedo na goela. Por aqui, depois de muito rodar e rodar pela mente, consigo silenciar - o que já é uma pequena vitória - porém, não resisto ao branco do fundo, igualzinho ao da minha caixa de ideias logo depois desses vômitos furtivos. E começo.

E disse tudo. Porta voz de quem, assim como ela, escreve para se sentir bem e colocar para fora o turbilhão de sentimentos e pensamentos que preenchem a mente. 

Palavra de amiga



Eu sei, ando sumida, distante. Não é por mal, acredite, mas às vezes a balança começa a pesar justamente para o lado errado. Eu sei que prometi não deixar a mudança de rotina se tornar um obstáculo entre nós. Eu prometi, você também.
E não é que eu não pense em você todos os dias ou não sinta saudade do seu abraço e as fofocas na segunda feira, não, pelo contrário.  Confesso que frequentemente me sinto mal, pensando que talvez não tenha feito o suficiente. Chego a acreditar que o amor não é mais o mesmo e sinto culpa por já ter me acostumado a não lhe ter mais na minha rotina. É errado isso? Acostumar-se a algo desagradável? Não sei, acho que faz parte.
Semana passada desejei mais do que tudo colocar uma roupa bonita e lhe encontrar na pizzaria, como da última vez, há muito tempo atrás. Hoje seu sorriso passou por mim e quase ouvi sua voz.
Queria que nossos horários voltassem a bater, as horas livres – mesmo que quase inexistentes – voltassem a ser as mesmas.  É doloroso pensar que não sei mais como vai a família, a saúde ou se as coisas com aquele menino finalmente foram adiante. Angustiante perceber que a falta que você me faz aumenta a cada dia, enquanto a dor vai diminuindo gradativamente. Não deveria ser assim, eu não deveria me conformar com tão pouco! Tão perto e ao mesmo tempo tão distante... O que fizeram com o verdadeiro significado de justiça?
Enquanto lhe escrevo, escuto as músicas que ainda devem ser comuns no seu mp3, lembro de todas as conversas sobre música, filme e moda que costumávamos ter todas as tardes. E das piadas sem graça que você nunca conseguia terminar de contar, rindo sem parar. Quero que saiba que ainda lembro de você e sinto sua falta.
Desculpe se não consegui cumprir minha promessa de forma impecável, mas não desisti de tentar. Ainda estou aí com você, palavra de amiga! 

Para mais de uma vida


Conversando com você, nos meus dias de tpm carregada de carência e emotividade eu me dei conta do que realmente vem acontecendo comigo -e espero que conosco-. 
Sempre fui meio boba, romântica a moda antiga assumida, mas ainda assim não acreditava nisso de frio na barriga, preocupação ao extremo, vazio no peito. Não até você aparecer na minha vida. E por muito tempo senti medo de estar sendo enganada, medo de sentir paixão em vez de amor. Medo este que hoje não passa nem perto, se isso não for amor então não sei o que pode ser. 
Tantas brigas, desentendimentos, crises loucas de ciúmes, distâncias, ataques de imaturidade... E por tantas vezes sentimos raiva, decepção, vontade de desistir e ainda assim continuamos.
Se amar não é ter milhões de motivos para desistir e apenas um para continuar e ainda assim optar por continuar,então eu não sei o que é. Se amar não é sentir um vazio enorme, uma dor inexplicável no peito quando você está longe, então não sei o que é. Se amar não é sentir o coração apertar certas vezes e ligar desesperada para saber se você está bem ou lhe pedir para ter cuidado, então não sei o que é. 
E talvez eu não saiba mesmo o que é amar, talvez eu apenas queira que seja amor e quero tanto, que acabo acreditando. Talvez o amor esteja nos olhares, sorrisos,beijos na testa e abraços apertados. Talvez ele esteja em cada mensagem de bom dia. E por mais óbvio e chiclê que seja, talvez o amor esteja no "eu te amo" que sai sem querer, tímido e surpreendente.
Acho que se não fosse amor eu conseguiria organizar melhor as palavras e ser mais clara em vez dessa impulsividade que não consegue ordenar todas as lembranças ee sentimentos que saem embaralhadas e urgentes. 
E por mais que eu tente entender ou explicar eu jamais conseguiria. Ainda acho que uma frase pode resumir tudo,se for sincera: amo você. Bem mais do que na semana passada, bem mais do que dois anos atrás. Ta vendo? Aqui tem amor pra toda uma vida. Para mais de uma

Certeza


Hoje mesmo eu estava pensando no nome dos nossos filhos e dos cachorros, planejando o tamanho e a decoração da casa e escutando os passos pequenos correndo pelo quintal. As noites em que vamos ficar acordados, tirando par ou ímpar pra decidir quem vai trocar a fralda ou a que vamos ficar ligando para a babá a todo minuto enquanto estivermos fora, na nossa noite "de folga". 
Pensei também nas noites que o pequeno caminha silenciosamente com o lençol arrastando pelo chão até nosso quarto, deitando entre os dois pra fugir do pesadelo. As viagens à praia e à casa dos avós; os passeios em família aos fins de semana e as histórias para dormir. 
Já vejo você todo coruja, morrendo de ciúmes e criando caso com o primeiro namoradinho da "princesinha do papai". Ou ensinando pro menino o melhor jeito de conseguir conquistar a coleguinha de sala. 
As vezes em que você vai me ver louca,  com a cara fechada por ter que dar conta da casa, das crianças e do trabalho, sem muito êxito, e ainda assim vai me abraçar forte e me mimar um pouco até descansar a cabeça no seu peito e dormir. 
Ao fim de tudo, me vejo sorrindo, lá ou aqui, amanhã ou agora. Estou sorrindo, não importa o lugar ou o tempo. E permaneço sorrindo ao olhar para o papel de parede do celular, para a mensagem que acabou de chegar ou para o mural de fotos em frente a cama.
 E sabe por quê? Porque você está lá, em todos esses lugares, e junto com você, a certeza de um futuro certo, tal qual como sempre sonhei, com crianças, cachorros, estresse e mimos. Mas o mais importante, com você. 

Saudade


Estou aqui lutando contra esse vazio e essa vontade enorme de lhe ligar quando você não está por perto; e desligar somente quando você estiver de novo comigo, de preferência em um abraço bem apertado.
Bonito ver que depois de tanto tempo juntos ainda continuamos agindo como o casal adolescente do primeiro mês de namoro, quando tudo era maravilhoso e nenhum de nós tinha defeitos. E talvez não tenhamos mesmo, porque agora, quando você está longe, sinto falta até mesmo daquelas suas brincadeiras sem graça que você faz só porque sabe que eu não gosto. Talvez defeitos não passem de desculpas esfarrapadas para dizer que alguém não nos agrada. Esse tal de defeito é algo que não condiz com o amor.
Quando me deito, antes de dormir, e os pensamentos vem, é que a saudade bate mais forte. Como eu queria que você estivesse aqui me ouvindo reclamar da volta da rotina difícil e estressante da escola... Você saberia exatamente o que me dizer. Me diria para manter a calma e o foco e não me preocupar pois ainda teria você para me ajudar a enfrentar a rotina e o que mais viesse pela frente. E abriria aquele sorriso lindo que tanto amo; e diria "vem cá", me puxando para mais perto e me beijaria a cabeça. Não haveria esse vazio, essa saudade, essa preocupação. Estaríamos seguros, um do lado do outro, como tem que ser. E será!
Me perdoe por todas as vezes que lhe acordei no meio da noite sem dizer nenhuma palavra, apenas para ouvir sua voz. Quando a saudade vem é tudo que posso fazer.
Obrigada por me deixar cuidar de você, por me deixar ser um pouco mãe e dar bronca, e lhe mandar ter juízo e lhe ligar milhões de vezes para saber se está bem.
Você é o motivo por eu ser grata, por tudo. Por querer acordar todos os dias com um sorriso no rosto, mesmo nos dias mais difíceis. Obrigada por mostrar ao mundo o melhor de mim.

Carta de agradecimento


Já faz um tempo que venho tentando lhe escrever, para contar o quanto as coisas mudaram depois que você foi embora. Mas não pense você que mudaram para pior. Aliás, venho aqui lhe agradecer. Bem que me disseram que perdas sempre geram ganhos. Me disseram também que o que é verdadeiro não vai, permanece. E isso eu vi e vivi de tal forma que posso lhe garantir de que é a mais pura verdade. Eu acredito no "para sempre", mas não é todo mundo que vai chegar até ele do meu lado.
Houve uma época, quando tudo aquilo começou, que você era meu bicho papão; não falava seu nome e levava as mãos aos ouvidos quando o mesmo era pronunciado. Derramei lágrimas por você sem saber se você realmente merecia cada gota salgada que escorria pelo meu rosto.
Já senti decepção, raiva, ódio, saudade, principalmente. Mas nunca ousei sentir culpa. E isso me fez erguer a cabeça e seguir em frente, superar, evoluir.
Hoje quando me olho no espelho já não me sinto feia, sem graça. Percebo que  não dependo de ninguém nem nunca dependi; que na verdade você dependia de mim. E não perdi nada, só ganhei. Ganhei confiança, maturidade, força, autoestima. Ganhei amor próprio.
Portanto encerro esse caos da mesma forma que começou, através de uma carta. Deixo aqui os meus sinceros agradecimentos e a esperança de que um dia você se descubra bem mais do que acha que é, assim como eu. E possa ser feliz com a certeza de que o que passou foi bom enquanto durou, mas o que ainda está por vir será muito melhor.


E se


Hoje a saudade apertou ainda mais o peito e o coraçãozinho começou a pesar. A consciência também. E se eu não tivesse feito isso, as coisas estariam diferentes? Você estaria aqui? Essa pergunta viajou na minha mente o dia inteiro. E se...
Você sabe que meu maior medo sempre foi ficar sozinha. É exatamente assim que me sinto. As lembranças vem à mente, os olhos enchem de lágrimas. Sinto vontade de lhe ligar, ouvir sua voz. Ela me acalma.
E se eu não tivesse sido tão irresponsável e imatura? E se você tivesse sido mais compreensível? E se fosse amor? Para isso eu tenho a resposta. Você ainda estaria aqui passando a mão na minha cabeça e tentando arrancar um sorriso meu. Mesmo chateado você ainda estaria aqui. E ainda seríamos "nós".
E se nenhuma promessa tivesse sido quebrada? Eu ainda acreditaria em mim. Em você. Em nós.
E se você ainda pensar em mim como penso em você, você viria atrás de mim?
 
© Refúgio - 2012. Todos os direitos reservados.
Criado por: Cecília Maria.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo