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Sobre deixar você ir



Seria clichê demais se eu dissesse que chorei ouvindo aquela música triste semana passada? E dessa vez nem a desculpa do choro fácil durante a TPM vai adiantar. Mas sim, eu chorei. Não sei dizer se é coisa da minha cabeça ou se é o universo conspirando a favor da despedida, mas ultimamente todos os filmes, contos e músicas que passam por mim insistem em me lembrar de que você vai partir.
Eu não quero dormir, nem deixar você em casa, nem ir para casa quando você não está. Tudo que eu quero é segurar você aqui o máximo possível, porque o tempo tem passado rápido demais e isso me desagrada profundamente. Queria parar o tempo, congelar naquele exato momento em que me deitei encostada no seu peito e você beijou minha cabeça. Seria o momento perfeito para uma pausa. O melhor lugar do mundo, a melhor sensação de todas.
E de repente, um filme passa diante de mim. Um filme de dois adolescentes que um dia se descobriram melhores amigos num momento de dificuldade e se apaixonaram. O filme vai passando, mas eu não consigo saber o final. Talvez isso signifique que eles não tenham fim ou, quem sabe, ainda não foi escrito um último capítulo.
A verdade é que desde que você entrou na minha vida muita coisa mudou dentro de mim. E talvez, a partir desse momento, eu tenha descoberto que o amor não está em palavras bonitas e demonstrações públicas de afeto. O amor está no sorriso. Logo eu, que sempre fui um admiradora de sorrisos, demorei tanto tempo para entender. Eu não quero que você vá, mas se isso lhe fizer sorrir, então será o certo e você irá.
Uma coisa eu posso lhe garantir: a porta de casa permanecerá fechada até você decidir abrir, afinal, só você tem a chave. A casa é sua, meu coração também, volte quando quiser.

Carta de agradecimento


Já faz um tempo que venho tentando lhe escrever, para contar o quanto as coisas mudaram depois que você foi embora. Mas não pense você que mudaram para pior. Aliás, venho aqui lhe agradecer. Bem que me disseram que perdas sempre geram ganhos. Me disseram também que o que é verdadeiro não vai, permanece. E isso eu vi e vivi de tal forma que posso lhe garantir de que é a mais pura verdade. Eu acredito no "para sempre", mas não é todo mundo que vai chegar até ele do meu lado.
Houve uma época, quando tudo aquilo começou, que você era meu bicho papão; não falava seu nome e levava as mãos aos ouvidos quando o mesmo era pronunciado. Derramei lágrimas por você sem saber se você realmente merecia cada gota salgada que escorria pelo meu rosto.
Já senti decepção, raiva, ódio, saudade, principalmente. Mas nunca ousei sentir culpa. E isso me fez erguer a cabeça e seguir em frente, superar, evoluir.
Hoje quando me olho no espelho já não me sinto feia, sem graça. Percebo que  não dependo de ninguém nem nunca dependi; que na verdade você dependia de mim. E não perdi nada, só ganhei. Ganhei confiança, maturidade, força, autoestima. Ganhei amor próprio.
Portanto encerro esse caos da mesma forma que começou, através de uma carta. Deixo aqui os meus sinceros agradecimentos e a esperança de que um dia você se descubra bem mais do que acha que é, assim como eu. E possa ser feliz com a certeza de que o que passou foi bom enquanto durou, mas o que ainda está por vir será muito melhor.


E se


Hoje a saudade apertou ainda mais o peito e o coraçãozinho começou a pesar. A consciência também. E se eu não tivesse feito isso, as coisas estariam diferentes? Você estaria aqui? Essa pergunta viajou na minha mente o dia inteiro. E se...
Você sabe que meu maior medo sempre foi ficar sozinha. É exatamente assim que me sinto. As lembranças vem à mente, os olhos enchem de lágrimas. Sinto vontade de lhe ligar, ouvir sua voz. Ela me acalma.
E se eu não tivesse sido tão irresponsável e imatura? E se você tivesse sido mais compreensível? E se fosse amor? Para isso eu tenho a resposta. Você ainda estaria aqui passando a mão na minha cabeça e tentando arrancar um sorriso meu. Mesmo chateado você ainda estaria aqui. E ainda seríamos "nós".
E se nenhuma promessa tivesse sido quebrada? Eu ainda acreditaria em mim. Em você. Em nós.
E se você ainda pensar em mim como penso em você, você viria atrás de mim?

(Des) Acreditada



Confesso a você que eu cheguei a duvidar da existência do amor. Logo eu, sempre tão romântica e apaixonada. Chega de corações partidos, mentiras e desilusões. Doeu. Ah, se eu tivesse a força que você pensa que eu tenho...
Eu me apeguei, confiei todos os meus segredos, medos e sonhos e depois fui traída. Então veio a raiva, o nojo, o completo desencantamento. Cabeça quente, desaforos, atitudes infantis e covardes. Depois veio o desleixo, o não se importar, aquele típico crescimento que vem sempre depois da dor. Mas e agora? Bem, eu lhe perdoo. Sim, de verdade, eu lhe perdoo.
É lamentável ver, que depois de tudo, eu me tornei outra pessoa. Estou me fechando. Sinto medo. Medo de me apegar, de confiar nas pessoas. Medo de acreditar nas palavras e promessas que ele me faz. Medo de amar. A culpa não é (só) sua.
Não chamo mais ninguém de amigo, e isso me parece tão injusto com algumas pessoas. Mas a verdade, é que aqueles, que assim como você,  um dia eu chamei de amigos nunca perderam meu carinho e minha preocupação. Talvez seja isso que me impeça de desacreditar no amor, a presença de um sentimento  tão bonito que eu ainda nutro por quem um dia só me machucou. 
 
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