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Querido Diário: Rotinas que vem e vão

                            


Acordar cedo, ir para escola, voltar para casa, estudar. Piano, Pilates, dormir. Começar tudo de novo. A rotina é um ciclo vicioso e extremamente chato. Até você sentir saudade dela, de ter horário para tudo, ir aos mesmos lugares, ver as mesmas pessoas.
Já quer logo férias, praia, sol, mar. Ficar de cara para cima, dormir tarde até tarde. Reclamar do tédio mesmo quando tem uma pia cheia de louça suja que sua mãe (que não está de férias) deixou para você lavar.
Leva certo tempo até você se acostumar com a nova escola, novos horários, novos rostos. E quando finalmente acha que está tirando de letra, fim. The end, game over. Tchau, adeus, au revoir. 
Pior do que a rotina - e até mesmo a falta dela - é quando ela vai embora para sempre, tornando-se apenas uma lembrança que você remói em manhãs chuvosas, como a de hoje.
O fato é que o ser humano (principalmente se for mulher ou a minha pessoa) é um completo paradoxo. Paradoxal e totalmente insatisfeito. Sempre quer algo que não tem e quando consegue trata logo de querer outra coisa. Reclama do que tem, do que não tem e do que achava que não queria ter. Tipo a Rotina.
A verdade é que nós duas nunca nos demos bem, eu gritava em alto e bom som, para quem quisesse ouvir, o meu ódio eterno por ela. Até que eu finalmente baixei a guarda, pedi desculpas e fui rejeitada. Esnobada. Humilhada. A tal Rotina simplesmente sorriu da minha cara e me mandou procurar outra.
Talvez eu até esteja de olho em uma, vou admitir. Mas ela me observa de longe, tímida, sem ter certeza se sou merecedora dela.  O que ela tem para me oferecer? Uma sala de aula de ensino superior repleta de desconhecidos com aspirações bem próximas das minhas, próximas até demais. O que ela quer saber? Se estou preparada para encarar tanta novidade assim de uma vez. Eu não sei, mas estou pensando em ser mais simpática dessa vez, vai que eu acabo gostando?

Querido diário e a escolha de uma vida inteira


Engraçado essa forma que somos educados, não vamos à escola simplesmente para aprender, vamos à escola para conseguir entrar no mercado de trabalho quase 15 anos depois. Mal saímos da barriga da mãe e já nos perguntam o que vamos ser quando crescer, uma pergunta simples, mas que nos pressiona a vida toda.
Em pleno século XXI as coisas parecem não ter mudado tanto assim, todos ainda sonham com o filho médico, engenheiro ou advogado, como se as demais profissões não tivessem importância. "Licenciatura é para quem não estuda", e filha, neta e afilhada de professores, sempre escutei que ser professor não era uma   boa profissão. Por que não? Já se imaginaram sem seus mestres? Ninguém chegaria a lugar nenhum. Médico não seria médico e engenheiros ou advogados não existiriam. Não, não quero ser professora - na verdade, ainda não sei bem que rumo quero seguir -, mas se meus filhos optarem pela profissão serei a primeira a incentivar.
Admiro muito aqueles que desde pequenos já sabem que profissão seguir, invejo quem, diferente de mim, já  se imagina em um corredor de hospital ou em uma sala de aula ou em um escritório de uma grande empresa.  Me vejo ha 5 meses da maioridade e ha 8 do vestibular sem ter a certeza do que farei do meu futuro. E isso me deixa angustiada. Porque foi aquela pergunta inocente, que se repetiu durante toda a infância, que começou a pesar na adolescência. E se eu ainda não tiver crescido o suficiente? "O que vou ser quando crescer"... Crescer onde? Em que aspecto?
Estou prestes a fazer uma escolha que dará um rumo a minha vida - logo eu que sempre fugi de tomar decisões -. E ainda tenho um pouco de medo. Medo de fazer a escolha errada, medo de me arrepender, medo de atrasar os planos que já estão traçados em minha mente desde sempre.
Tenho medo, mas também tenho coragem, porque acredito que o que vai crescer não sou eu, mas sim o dom que existe dentro de mim, a paixão por algo que virá a ser o sustento da minha família e também meu estímulo para levantar de manhã cedo e ir trabalhar, feliz. Afinal é isso que importa, a satisfação de fazer o que gosta e não o que dá dinheiro ou que a família sempre sonhou. Quem sabe o que é melhor para nós somos nós mesmos, ou vai dizer que alguém conhece de verdade essa voz que fala na sua cabeça sem parar todos os dias?

Querido diário e reflexões de fim de ano


Fim de ano chegando e com ele todas aquelas reflexões típicas dessa época. As alegrias, as tristeza, os arrependimentos...
Dizem que o fim do mundo está próximo, mas eu, ao longo do ano, muitas vezes cheguei a achar que o meu mundo já tinha chegado ao fim. Foi um ano diferente e difícil. Mudança de escola, de rotina, de pessoas e de hábitos. De repente, vi um mundo que era meu ir embora e comecei a acreditar que talvez fosse mesmo o fim.
Me afastei de quem jamais imaginei viver sem, me reaproximei de pessoas que um dia foram muito importantes, mas que por infantilidade ou obra do destino deixei de manter contato. Fiz novas amizades quando prometi para mim mesma que isso não aconteceria. Amigos estes que quando precisei estiveram ao meu lado e me colocaram para cima, sem se importar com o pouco tempo de amizade. Fortaleci amizades antigas e relembrei a força e a magia de verdadeiras amigas. Sorri e chorei no mesmo ombro amigo tantas vezes que acabei descobrindo que meninos também podem ser excelentes "amigas".
Este ano me superei e fiz coisas que duvidava que um dia fosse capaz. Ganhei olimpíadas escolares e representei minha escola e meu estado em São Paulo. O patinho feio começou a transformação e está mais perto do que nunca de tornar-se um belo cisne.
Meu mundo virou de ponta cabeça quando, movida pelo ciúme e numa atitude infantil, afastei de mim quem mais importava, quem um dia, desde sempre, só me fez bem. E mais uma vez rezei para que os Maias estivessem certos, para que o mundo acabasse logo e com ele a minha dor.
Finalmente as coisas foram tomando seu rumo e, sinceramente, gostei do rumo que elas tomaram. Quando olho ao redor percebo que não poderia estar mais bem acompanhada, segura e feliz. Tenho comigo as melhores pessoas do mundo com as quais passei meus melhores momentos.
Aprendi que o que é nosso nunca vai embora. Aprendi a não ter mais medo de mudanças. Aprendi a não mais prometer coisas que me prejudiquem. Aprendi a confiar nas pessoas por maiores que sejam as decepções que elas possam trazer,já que no fim até isso terá valido a pena, porque nenhum tempo é perdido e sim, investido. Aprendi que podemos quebrar nossa cara de uma forma positiva.
Minha meta para o próximo ano? Sobreviver. Fazer quantos amigos a vida me permitir, sem deixar de lado os verdadeiros irmãos que fiz e cultivei nesse ano que passou. Tropeçar nos desafios da vida e até mesmo cair, mas me permitindo levantar, com a cabeça erguida. Porque muitos anos ainda vão se passar, mas as pessoas, os momentos e ensinamentos que cultivamos ao longo deles é para sempre, não importa quanto tempo esse para sempre vai durar.
 
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